pragueguia-em-praga.com.br

O local de peregrinação com mais fama em Praga, e o mais conhecido da Boémia no estrangeiro, é a Igreja de Nossa Senhora da Vitória. Esta Igreja construída em estilo barroco encontra-se na travessa das Carmelitas no Bairro Pequeno. A atenção dos peregrinos é especialmente atraída pela estatueta do Menino Jesus de Praga, conhecido em todo o mundo por Bambino de Praga, a qual se encontra desde 1628, num armário pequenino de prata, no altar lateral do lado direito. O seu ‘guarda-roupa’é constituído por valiosos vestidos bordados e decorados em relevos coloridos. O mais valioso deles foi pessoalmente bordado pela Imperatriz Maria Teresa. A estatueta renascentista , originária de Espanha, foi oferecida pela senhora Polyxena de Lobkovic às carmelitas.


O Menino Jesus recebeu, como presentes de gratidão, 60 vestidos, decorados com ouro, diamantes e pérolas (inclusive uns provenientes da China, do Brasil, das Filipinas , do Vietname etc.), sendo o mais precioso deles o vestido bordado pela imperatriz austrohúngara Maria Teresa.
A estatueta é regularmente revestida para que a cor do vestido sempre corresponda com a respectiva época litúrgica (por exemplo, a cor branca para os dias festivos da Páscoa e do Natal, a vermelha para a Semana Santa, a lilás para o período da quaresma e do Advento, etc.)

Dicas para visitantes:
Algumas roupas do Menino Jesus ficam expostas no museu situado na igreja, a entrada no museu é gratuita.
Na igreja celebram-se missas em idiomas diferentes – checo, inglês, francês, italiano, espanhol.
Ao último domingo do Maio procede a cerimoniosa celebração anual do aniversário da coroação do Menino Jesus pelo bispo em 1655.

Origem da devoçao

Esta devoçao, embora já muito conhecida, precisa de ser explicada para que o povo todo possa apreciar a sua origem, os seus fundamentos teológicos, a sua importância soberana e a sua utilidade actual.

Menino Jesus de PragaA devoçao ao Menino Jesus data de Belém; passou pelos anjos, por Maria e José, pelos pastores e Reis Magos e é continuada pelos santos através dos séculos, seguindo ainda o seu curso sempre ascendente. Tomou uma forma concreta e universal sob o título do Menino Jesus de Praga. E sob este título, essa devoçao foi eminentemente carmelitana em sua origem, até que se tornou tesouro universal do cristianismo. É na verdade uma flor delicada e divina que germinou e floriu no jardim do Carmelo e que, desabrochando sob o calor vivificador da Chama Divina, despede pelo mundo inteiro o seu consolador e suave aroma.

O CONVENTO DE PRAGA

O Soberano Pontífice Paulo V nomeou o venerável P. Domingos de Jesus Maria (Geral dos Carmelitas Descalços e confessor de Sua Santidade), seu Legado junto do Imperador da Áustria, Fernando II, que defendia os direitos de Deus e da Igreja Católica contra o príncipe palatino de Pfalz, encarniçado calvinista, que se apoderou do trono e se fez coroar rei na cidade de Praga. Fernando II pôs toda a sua esperança na intercessao de Maria Santíssima e nas oraçoes do Venerável P. Domingos. No dia da Assunçao o Senhor revelou a este santo religioso a vitória dos exércitos católicos. Antes de entrar na batalha, impôs o Escapulário do Carmo ao Imperador da Áustria, ao Duque da Baviera e a todos os soldados; monta a cavalo e, tendo o Crucifixo numa das maos e mostrando com a outra um quadrozinho da Sagrada Família, que tinha sido profanado pelos hereges, exorta os soldados a implorar a protecçao de Maria contra os inimigos do catolicismo. Tres horas bastaram para dispersar o grande exército calvinista de 100.000 homens. O Imperador como testemunho de gratidao, fundou conventos de Carmelitas em Viena, Gratz e Praga.

É este convento de Praga que o Menino Jesus vai escolher para fazer brilhar o seu poder e amor soberanos.

A princesa Polyxene de Lobkowitz

Era uma das senhoras mais distintas e piedosas do seu tempo, conhecedora da voluntária pobreza em que viviam os Padres Carmelitas e da grande estima que o povo cristao lhes tributava depois da miraculosa vitória da Montanha Branca, obtida pelas oraçoes do Venerável P. Domingos. Possuía, entre as suas lembranças de família, a imagem do Menino Jesus, que sua mae, princesa Manrique de Lara (da família real de Espanha), lhe tinha oferecido como o mais valioso presente do casamento; ela, por sua vez tinha-a recebido de Santa Teresa de Jesus.

Em 1628, esta piedosa princesa, como impelida por uma força superior, compreende que deve desprender-se daquela prenda querida e entregá-la aos Padres Carmelitas, que ficariam como os seus melhores e mais devotos custódios. Apresenta-se de facto no convento, e diante de toda a comunidade, entrega ao Padre Prior, venerável
Fr. Joao Luís da Assunçao, a belíssima imagem, dizendo-lhe: «Meu Padre, eu vos dou o que tenho de mais querido. Honrai esta imagem do Menino Deus e nada vos faltará». A imagem foi exposta a veneraçao dos religiosos no coro-oratório, onde tinham lugar os actos piedosos da comunidade.

As palavras da augusta dadora verificaram-se a risca. Deus prodigalizou as suas graças ao convento que possuía o Divino Menino: nunca lhes faltou o necessário; foi cumulado de bençaos espirituais e temporais enquanto ali preservou a devoçao ao Menino Jesus (Crónicas dos Carmelitas Descalços da Província de Áustria).

Profanaçao da imagem

Em 1631, os protestantes voltaram a ocupar a cidade de Praga; saquearam igrejas e conventos espalhando por toda a parte o incendio e a pilhagem. A imagem do Menino Jesus nao escapou a fúria devastadora dos inimigos do catolicismo: quebraram-lhe as maos e atiraram-na para um canto. Assim, a veneranda imagem ficaria sepultada debaixo dos escombros, e sem os seus fiéis devotos, pois os Carmelitas viram-se obrigados a fugir para nao perecerem em tamanha hecatombe. O terror, a miséria e a desolaçao reinavam na cidade de Praga e nos seus habitantes, ameaçados de morte pelos ferozes invasores.

Encontro da imagem

Foi precária a paz de 1635 que trouxe os Carmelitas ao seu antigo convento, quase todo ele em ruínas. Por falta de meios e de pessoal, foram demorados os trabalhos de restauraçao, empreendidos por sua vez num ambiente de insegurança e timidez, provenientes da presença dos protestantes. Os religiosos, sumidos na mais espantosa miséria e reduzidos a extrema indigencia, erguiam ao céu as mais ardentes súplicas a fim de obter uma verdadeira paz e alívio nas terríveis dificuldades que estavam atravessando. Os seus pedidos – com grande espanto dos religiosos – nao eram atendidos no céu. O que esclareceu esta confusa e difícil situaçao foi a vinda do P. Cirilo da Mae de Deus em 1637, que outrora tinha estado no Noviciado de Praga, e que era devotíssimo do Menino Jesus. Este santo religioso, compreendendo que Deus nao queria abençoar a comunidade e a cidade enquanto o Menino Jesus nao fosse honrado como merecia, pediu ao Superior licença para procurar a imagem do Menino Jesus, dizendo-lhe: «Se nós O honrarmos de novo, Ele nos dará segurança». Obtida a licença, após reiterados esforços tem a grande felicidade de encontrar a tao desejada imagem atrás do altar.

Fala a imagem

Logo que foi colocada no coro a imagem veneranda, entre cânticos e lágrimas dos religiosos, o inimigo, que durante seis longos anos tinha cercado a cidade de Praga, levanta o cerco; e o convento, que vivia sumido na mais desoladora miséria, ve-se provido do preciso para viver com desabafo. Estes dois factos foram o princípio duma nova era no culto da santa imagem e o início de outros inúmeros prodígios e favores.

Os bons religiosos recorriam em tudo ao Menino Jesus e, movido por especial fervor, o venerando Padre Cirilo passava horas e horas em oraçao diante do seu Reizinho. Um dia em que estava ajoelhado para Lhe tributar as suas homenagens, ouviu claramente a voz do Menino Jesus que lhe diria: «Tende piedade de Mim, e Eu terei piedade de vós; restituí-Me as minhas maos, e Eu vos darei a paz. Quanto mais Me honrardes, mais Eu vos favorecerei».

Estas ternas palavras, que encerram tres belas promessas, sao a garantia mais segura para as almas que a Ele recorrem em demanda de paz para os seus espíritos atribulados e de bençao para as necessidades espirituais e materiais.

Reparaçao da imagem

O Venerável Padre Cirilo recorreu logo ao Superior, certo de que a imagem ia ser consertada, mas o Superior entendeu que uma estátua mais bonita e mais rica seria melhor, e por isso a antiga foi posta de lado. O P. Cirilo teve que obedecer, mas Deus manifestou o seu descontentamento. No mesmo dia da inauguraçao da nova imagem, um candelabro chumbado na parede desprende-se repentinamente e reduz a mil pedaços a imagem; ao mesmo tempo caía o Superior gravemente doente nao podendo acabar o seu triénio de mandato.

Nomeado o novo Prior, o zeloso P. Cirilo pede-lhe imediatamente que mande reparar as maozinhas do Menino Jesus mutilado, mas ouve esta resposta desconcertante: «Nao podemos fazer esta despesa agora em que o restauro da Igreja e do convento exige gravíssimos sacrifícios». Mas a palavra de Deus, embora Menino, é omnipotente, e Ele nao deixará de realizar os seus altíssimos desígnios. A comunidade volta a cair na miséria, a peste assola a cidade, alguns religiosos morrem vitimados pela peste e o próprio Prior fica gravissimamente atingido, em perigo de morte. E entao, de acordo com a comunidade, manda celebrar dez missas diante da imagem do Menino e propagar a sua terna devoçao. Cumprida a promessa das dez missas, fica curado e, quer o Prior, quer os outros religiosos, depositaram a sua confiança no Milagroso Menino Jesus.

A imagem, porém, nao foi reparada, e muitas vezes o P. Cirilo desabafava a sua dor aos pés do Divino Infante, até que um dia ouve a mesma voz dizer-lhe: «Poe-Me a entrada da sacristia e alguém terá piedade de Mim». O Padre obedeceu logo, e a antiga imagem, com as maos quebradas, foi colocada a entrada da sacristia. Um estrangeiro, chamado Daniel Wolf, quis tomar a sua conta a restauraçao da imagem e foi imediatamente favorecido por Deus. Este estrangeiro vergado ao peso dum processo, porque o acusavam de desempenhar mal as suas funçoes de Comissário de guerra, perdera já o seu lugar e ia ficando arruinado. Logo que se encarregou da restauraçao da imagem, o processo foi arquivado, mereceu as graças do Soberano e a sua fortuna restabeleceu-se.

Rápido desenvolvimento

A devoçao ao Menino Jesus tinha-se conservado até este período na intimidade e solidao do convento, especialmente no Santo Noviciado. O bem-estar, tanto espiritual como material do convento, dependia visivelmente dos maiores ou menores cuidados que tinham com a imagem do «Pequenino-Grande», e narra a história que alguns Carmelitas foram, várias vezes, cruelmente punidos por nao terem rodeado a querida imagem das honras que Lhe eram devidas.

Culto público

Os Padres Carmelitas fundados em muitas provas de protecçao recebidas do Menino Jesus, reconheceram que tinham no convento um tesouro de incalculável valor, que nao podia ficar por mais tempo escondido, mas que devia ser exposto a pública veneraçao.

A Baronesa Catarina de Lobskowitz, dirigida do Padre Cirilo e alma santa, mandou erigir um magnífico altar para nele colocar a prodigiosa estátua do Menino Jesus. E rodeada por um cortejo branco de religiosos foi transportada do convento para a Igreja, onde a colocaram sobre o altar que com tanto cuidado Lhe tinham preparado, sendo cantada a missa em sua honra.

Foi entao que pela primeira vez se rendeu culto público a imagem do Menino Jesus de Praga.

A admirável visao do P. Cirilo

O «devoto capelao» do Menino Jesus via com grandíssimo agrado o seu «Pequeno-Grande» ser cada vez mais amado pelos religiosos e pelo povo. Mas ninguém estava satisfeito; de toda a parte se pedia a construçao duma Igreja exclusiva d’Ele. Este era também o desejo dos Padres Carmelitas.

Tais aspiraçoes foram confirmadas pela Santíssima Virgem, que apareceu ao seu venerável servo P. Cirilo. Ao princípio das matinas envolvida numa nuvem e rodeada por multidao de anjos e indicando com o dedo um lugar determinado diz: «Edificar-se-á aqui uma Igreja ao meu Filho». No dia seguinte o P. Cirilo corre ao lugar indicado pela Virgem, e com imensa alegria ve as linhas demarcativas da Igreja.

O Prior dos Carmelitas Descalços manifestou os seus desejos aos piedosos e ilustres baroes de Lobskowitz. Estas almas devotas, honradas com tao agradável convite, tomaram a sua conta a construçao da nova Igreja, que foi benzida em 1644; estava pegada a primitiva Igreja de Nossa Senhora da Vitória. A veneranda imagem, rodeada por um magnífico cortejo e seguida por imenso povo, foi transportada solenemente ficando assim a tomar conta do seu novo Santuário onde se constituíram missas perpétuas. A 14 de Janeiro de 1651, o Eminentíssimo Sr. Cardeal, Arcebispo de Praga, consagrou o altar com singular júbilo do povo cristao.

O Conde Bernardo de Martinitz, grande Marques da Boémia, mandou-Lhe fazer uma coroa de ouro, ornada de pérolas e diamantes, cuja elegância igualava a riqueza. E a imagem foi coroada a 4 de Abril de 1655 por Monsenhor José Corti, Bispo Auxiliar do Eminentíssimo Cardeal de Praga, doente nessa ocasiao.

A gratidao do Menino Jesus

O novo Santuário com o preciosíssimo altar do Menino Jesus foi um verdadeiro trono de graças e favores extraordinários. A Casa de Lobskowitz foi a alma desta grande empresa: a construçao do Santuário. Rapidamente experimentaram aqueles bons senhores a protecçao do Menino Jesus. Um filho daquela Casa encontrava-se na iminencia de perder a sua honra e a sua quantiosa fortuna. Refugiou-se na Igreja dos Carmelitas, e lá, aos pés do Menino Jesus, fez, com a mais viva fé, este juramento: «Eu, o abaixo assinado, hoje, dia de Sao Joao Baptista, comprometo-me a fundar uma renda perpétua em favor do meu amadíssimo Menino Jesus, venerado nos Carmelitas Descalços de Praga. Em fé deste juramento, junto a Deus por testemunha. Feito a 24 de Junho de 1643. Fernando Cristóvao, Barao de Lobskowitz».

Logo que fez a sua grande promessa, sentiu que a sua oraçao tinha sido atendida, pelo que voltou a casa paterna livre de todo o perigo e afliçao.

As graças e favores obtidos pela devoçao ao Menino Jesus eram cada vez mais numerosas, como atestam os ex-votos oferecidos ao Divino Infante. No mesmo dia em que o Santuário foi inaugurado, o Conde Ernesto de Chilick teve um ataque fortíssimo de gota; o caso era considerado pelos médicos como completamente desesperado. Nao tendo mais nenhuma esperança, enviou ao Santuário do Menino Jesus ricos presentes para obter uma boa morte. No entanto, prometeu que, se num caso inesperado ele recuperasse a saúde, instituiria uma missa semanal em louvor do Divino Infante. No dia seguinte estava completamente curado.

A partir de 1642 a devoçao ao Menino Jesus de Praga, como já era chamado, tomou tal incremento, que o clero e o povo acorriam constantemente ao Santuário do «Menino-Grande» a fim de agradecer os grandes benefícios que lhes dispensara e pedir novos favores para a Igreja e para a Pátria.

Ante aquela imagem vinham prostrar-se o plebeu e o nobre, o inocente e o pecador, os grandes e os pequenos, especialmente as crianças, pelas quais o Menino Jesus tem uma predilecçao especialíssima; ante aquela imagem expunham-se os negócios árduos e as grandes afliçoes. E todos eram atendidos segundo a fé e a confiança que no Menino Jesus depositavam. Por isso foi e continua a ser chamado Menino Jesus Taumaturgo, Miraculoso, Mila-groso.

Milagres durante a peste

O ano de 1713, foi para a cidade e arredores de Praga dos mais desastrosos. A peste devastou a populaçao. Basta dizer que, só desde o dia 22 de Agosto deste ano até Março do ano seguinte vitimou mais de 20.000 pessoas e perto de dois milhoes de cabeças de gado. Nesta terrível conjuntura o povo nao esqueceu o seu celeste protector. Os Padres Carmelitas diziam missa no Santuário e recitavam as ladainhas do Santo Nome de Jesus. O povo corria ali, desde o romper do dia até a tarde, em multidao, e quando se fechava a Igreja, muitos ainda pediam a graça de os deixar entrar, visto nao terem antes conseguido um lugar.

Narram os historiadores que era verdadeiramente comovedor ver esta multidao invadir o Santuário e pedir de joelhos ao Menino Jesus a sua protecçao divina contra o terrível flagelo da peste. A sua confiança nao os enganou: constatou-se que os que recorriam a Sua divina protecçao nao eram atacados por este mal terrível. Houve no entanto um facto que chamou a atençao, e que contribuiu para mostrar a eficácia da devoçao ao Menino Jesus. Um fervoroso cristao, chamado Maloiski, foi atacado pela mortífera peste. Nao estando em condiçoes de ir orar diante da imagem do Santuário, deitou-se na cama cheio de confiança, depois de invocar a protecçao do Divino Infante, de quem era devotíssimo. Sobreveio-lhe um sono profundo e, quando acordou, o mal tinha desaparecido. Uma mulher de Praga, tendo ouvido este facto, nao quis acreditar na sua possibilidade e riu-se da devoçao a qual o homem devia a sua cura. No mesmo dia sentiu-se atacada pela peste e no dia seguinte estava morta.

Estes e outros inúmeros prodígios operados pelo Menino Jesus concorreram eficazmente para que esta devoçao tomasse um rápido incremento em toda a Europa e, atravessando o Atlântico e o Pacífico, chegasse aos últimos confins da terra como corrente vivificadora e consoladora.

É a devoçao mais simpática

O motivo é muito simples e evidente. Apresenta-nos a Jesus na fase mais encantadora da sua vida: a INFÂNCIA. E a infância é, indiscutivelmente, a idade mais bela – também a mais feliz – em todo o sentido: humana e divinamente.

A idade mais bela humanamente! As crianças tem encantos incomparáveis, únicos! A criança é a flor mais mimosa, mais delicada, mais encantadora que há no mundo; que a todos agrada e a ninguém desgosta; que faz vibrar os sentimentos mais recônditos da alma e que, com uma força irresistível, cativa os coraçoes. Um lar sem crianças é como um vaso sem flores.

É também a mais bela divinamente! Jesus teve pelas crianças uma especialíssima predilecçao. «Deixai, dizia Ele, as criancinhas e nao as impeçais de vir a Mim, pois delas é o reino dos céus» (Mt 19, 14). E Jesus, sempre tao comedido nas suas manifestaçoes afectivas, derramava nas crianças as ternuras mais delicadas do seu puríssimo coraçao: «Depois, tomou-as nos braços e abençoou-as, impondo-lhes as maos» (Mc 10, 16). Só para as crianças reservava estas ternuras.

O Menino Jesus tem todos os encantos duma criança; mais: os encantos todos duma criança que é ao mesmo tempo Deus. Jesus pequenino inspira-nos uma confiança sem limites, uma intimidade carinhosa. Quem é que tem medo duma criança? Jesus «grande» inspira-nos um amor de intimidade. Jesus na cruz atrai-nos pela grandeza dos seus sofrimentos, na Eucaristia pela sublimidade do seu amor... na Infância pela suavidade dos seus encantos humano-divinos.

A devoçao ao Menino Jesus tem a grandíssima vantagem de arrebatar os coraçoes com os seus encantos divinamente infantis, colocando-nos num ambiente de intimidade total com Deus e, por isso mesmo, de quase naturalmente introduzir-nos no caminho da Infância espiritual, que é a celestial mensagem de santidade ensinada por Santa Teresinha do Menino Jesus.

É uma devoçao de grandíssima utilidade

O coraçao de Jesus Menino está animado por um veementíssimo desejo de ABENÇOAR, e abençoar a TODOS e SEMPRE. Na sua imagem vemo-l’O com a sua maozinha direita levantada como para abençoar; nao é a maozinha duma criança impotente, mas a MAO infinitamente PODEROSA, OMNIPOTENTE de um Deus humanado e que, sendo «pequenino» move forte e suavemente a máquina universal do mundo, desde o graozinho de areia, que é levado nas asas do vento, até aos desertos quase infinitos do mundo misterioso que nos envolve. Nessa mesma imagem vemo-Lo revestido de rei e, como emblema do seu poder soberano, tem na mao esquerda o globo terrestre. Aos encantos incomparáveis da sua Infância alia harmo-niosamente o poder infinito de um Deus humanado.

Estamos convencidos que esta devoçao há-de produzir nas almas e nas famílias grandes frutos de salvaçao e santificaçao, para bem da humanidade inteira, e que há-de ocupar um lugar de soberana grandeza no culto cristológico. A sua importância e utilidade foram reconhecidas pelos mestres da espiritualidade, que consideram a devoçao ao Menino Jesus como um estímulo poderoso para entrar no caminho da Infância Espiritual, que é um «Caminho Novo» por onde, segundo Bento XV, «os fiéis de qualquer naçao, idade, sexo e condiçao devem entrar generosamente, caminho pelo qual Santa Teresa do Menino Jesus atingiu o heroísmo da virtude. Desejamos que o segredo da santidade de Santa Teresa nao fique ignorado de nenhum dos nossos filhos» (Bento XV).

É verdade: Teresinha trouxe ao mundo o «Omen novum», uma mensagem nova até agora desconhecida pela maior parte dos cristaos, a mensagem da santidade universal para todas as almas desejosas de perfeiçao, voltando assim a encontrar o sentido genuíno, puríssimo, profundíssimo – e tao simples – dos ensinamentos do Mestre Divino que dizia: «Se nao voltardes a ser como as criancinhas, nao podereis entrar no reino do céus» (Mt 18, 3). Estas palavras indicam que, mesmo para nos salvar, havemos de nos tornar criancinhas. E Jesus, como Menino, é o modelo perfeitíssimo e concreto para todos os que aspiram a perfeiçao – a que, como cristaos, todos estamos obrigados – indo pelo caminho rápido da Infância Espiritual. Teresinha, a doutora incomparável desse novo caminho, providencialmente escolheu o nome de Teresinha do Menino Jesus.

A utilidade desta devoçao patenteia-se ainda mais concretamente pelas grandes promessas feitas pelo Menino Jesus de Praga, promessas extremamente generosas e consoladoras, tao generosas e consoladoras que merecem um capítulo especial.

Notícia de Segunda-feira, 17 de setembro de 2007

República Tcheca recebe a imagem de Nossa Senhora Aparecida
Liliane Borges
Correspondente Canção Nova em Praga

Nossa Senhora Aparecida em Praga

A devoção brasileira está sendo literalmente exportada. Uma cópia da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi
entronizada hoje, 17, no Santuário do Menino Jesus de Praga na República Tcheca. Este Santuário na Europa central figura entre os mais visitados do mundo.

Duas devoções se unem na República Tcheca. A Imagem de Nossa Senhora Aparecida chegou hoje ao Santuário do Menino Jesus de Praga, trazida em procissão solene pelo Arcebispo Dom Raymundo Damasceno de Assis e o Primaz do país Cardeal Miloslav Vlk.

Ao introduzir a Cerimônia o Embaixador brasileiro junto ao governo Tcheco Affondo Massot falou sobre a iniciativa de unir as duas devoções e explicou que "o número de brasileiros e latino-americanos que visitam Praga é muito grande, então pensei ser interessante juntar as duas devoções, pois Nossa Senhora Aparecida é o Icone da devoção do povo brasileiro".

Prestigiaram a cerimônia a primeira dama Tcheca Livia Klausov, o primeiro ministro Mirek Topolanek entre outras autoridades
brasileiras. Ao som da "Ave Maria de Shubert" a imagem foi entronizada ao lado do altar do Menino Jesus, e permanecerá ali em sinal da ligação entre os dois países.

O Arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno, destacou que "agora os brasileiros que vem a Praga poderão encontrar a Mãe Aparecida ao lado de uma outra grande devoção popular como é o Menino Jesus de Praga, e diante da imagem da virgem poderão rezar pelo povo brasileiro e também por este pais".

O presidente Lula enviou uma breve mensagem, expressando sua alegria pelo evento: "gostaria de estar pessoalmente nesta cerimônia", escreveu o presidente.

Bento XVI através de uma mensagem expressou sua proximidade espiritual a cerimônia. Recordando a sua recente viagem ao Brasil, comentou a devoção do povo brasileiro à Nossa Senhora Aparecida. O Pontífice enviou sua Benção Apostólica a todo o povo Tcheco por intercessão de Nossa Senhora Aparecida.

O Cardeal Miloslav Vlk, primaz da República Tcheca, falou de sua alegria por receber a imagem, recordando que a República
Tcheca não possui uma forte história religiosa, ainda mais que os 40 anos de Comunismo a fez desaparecer quase por completo. "O Brasil é a maior nação católica, forte em sua expressão de fé, portanto representa para nós um convite a nos apoiarmos aos valores cristaos.

Tel: +420 / 607 / 552731  -  Fax: +420 / 2 / 2432 4618
http://www.guia-em-praga.com.br e-mail: info@guia-em-praga.com.br