O
local de peregrinação com mais fama em Praga, e o mais
conhecido da Boémia no estrangeiro, é a Igreja de Nossa
Senhora da Vitória. Esta Igreja construída em estilo
barroco encontra-se na travessa das Carmelitas no Bairro Pequeno. A
atenção dos peregrinos é especialmente atraída
pela estatueta do Menino Jesus de Praga, conhecido em todo o mundo
por Bambino de Praga, a qual se encontra desde 1628, num armário
pequenino de prata, no altar lateral do lado direito. O seu ‘guarda-roupa’é constituído
por valiosos vestidos bordados e decorados em relevos coloridos. O
mais valioso deles foi pessoalmente bordado pela Imperatriz Maria Teresa.
A estatueta renascentista , originária de Espanha, foi oferecida
pela senhora Polyxena de Lobkovic às carmelitas.
Origem da devoçao
Esta devoçao, embora já muito conhecida, precisa de ser explicada
para que o povo todo possa apreciar a sua origem, os seus fundamentos
teológicos, a sua importância soberana e a sua utilidade actual.
A
devoçao ao Menino Jesus data de Belém; passou pelos anjos, por
Maria e José, pelos pastores e Reis Magos e é continuada pelos
santos através dos séculos, seguindo ainda o seu curso sempre ascendente.
Tomou uma forma concreta e universal sob o título do Menino Jesus
de Praga. E sob este título, essa devoçao foi eminentemente carmelitana
em sua origem, até que se tornou tesouro universal do cristianismo. É na
verdade uma flor delicada e divina que germinou e floriu no jardim
do Carmelo e que, desabrochando sob o calor vivificador da Chama
Divina, despede pelo mundo inteiro o seu consolador e suave aroma.
O CONVENTO DE PRAGA
O Soberano Pontífice Paulo V nomeou o venerável P. Domingos de
Jesus Maria (Geral dos Carmelitas Descalços e confessor de Sua
Santidade), seu Legado junto do Imperador da Áustria, Fernando
II, que defendia os direitos de Deus e da Igreja Católica contra
o príncipe palatino de Pfalz, encarniçado calvinista, que se apoderou
do trono e se fez coroar rei na cidade de Praga. Fernando II pôs
toda a sua esperança na intercessao de Maria Santíssima e nas oraçoes
do Venerável P. Domingos. No dia da Assunçao o Senhor revelou a
este santo religioso a vitória dos exércitos católicos. Antes de
entrar na batalha, impôs o Escapulário do Carmo ao Imperador da Áustria,
ao Duque da Baviera e a todos os soldados; monta a cavalo e, tendo
o Crucifixo numa das maos e mostrando com a outra um quadrozinho
da Sagrada Família, que tinha sido profanado pelos hereges, exorta
os soldados a implorar a protecçao de Maria contra os inimigos
do catolicismo. Tres horas bastaram para dispersar o grande exército
calvinista de 100.000 homens. O Imperador como testemunho de gratidao,
fundou conventos de Carmelitas em Viena, Gratz e Praga.
É este convento de Praga que o Menino Jesus vai escolher para
fazer brilhar o seu poder e amor soberanos.
A princesa Polyxene de Lobkowitz
Era uma das senhoras mais distintas e piedosas do seu tempo, conhecedora
da voluntária pobreza em que viviam os Padres Carmelitas e da grande
estima que o povo cristao lhes tributava depois da miraculosa vitória
da Montanha Branca, obtida pelas oraçoes do Venerável P. Domingos.
Possuía, entre as suas lembranças de família, a imagem do Menino
Jesus, que sua mae, princesa Manrique de Lara (da família real
de Espanha), lhe tinha oferecido como o mais valioso presente do
casamento; ela, por sua vez tinha-a recebido de Santa Teresa de
Jesus.
Em 1628, esta piedosa princesa, como impelida por uma força superior,
compreende que deve desprender-se daquela prenda querida e entregá-la
aos Padres Carmelitas, que ficariam como os seus melhores e mais
devotos custódios. Apresenta-se de facto no convento, e diante
de toda a comunidade, entrega ao Padre Prior, venerável
Fr. Joao Luís da Assunçao, a belíssima imagem, dizendo-lhe: «Meu Padre, eu
vos dou o que tenho de mais querido. Honrai esta imagem do Menino Deus e
nada vos faltará». A imagem foi exposta a veneraçao dos religiosos no coro-oratório,
onde tinham lugar os actos piedosos da comunidade.
As palavras da augusta dadora verificaram-se a risca. Deus prodigalizou
as suas graças ao convento que possuía o Divino Menino: nunca lhes
faltou o necessário; foi cumulado de bençaos espirituais e temporais
enquanto ali preservou a devoçao ao Menino Jesus (Crónicas dos
Carmelitas Descalços da Província de Áustria).
Profanaçao da imagem
Em 1631, os protestantes voltaram a ocupar a cidade de Praga;
saquearam igrejas e conventos espalhando por toda a parte o incendio
e a pilhagem. A imagem do Menino Jesus nao escapou a fúria devastadora
dos inimigos do catolicismo: quebraram-lhe as maos e atiraram-na
para um canto. Assim, a veneranda imagem ficaria sepultada debaixo
dos escombros, e sem os seus fiéis devotos, pois os Carmelitas
viram-se obrigados a fugir para nao perecerem em tamanha hecatombe.
O terror, a miséria e a desolaçao reinavam na cidade de Praga e
nos seus habitantes, ameaçados de morte pelos ferozes invasores.
Encontro da imagem
Foi precária a paz de 1635 que trouxe os Carmelitas ao seu antigo
convento, quase todo ele em ruínas. Por falta de meios e de pessoal,
foram demorados os trabalhos de restauraçao, empreendidos por sua
vez num ambiente de insegurança e timidez, provenientes da presença
dos protestantes. Os religiosos, sumidos na mais espantosa miséria
e reduzidos a extrema indigencia, erguiam ao céu as mais ardentes
súplicas a fim de obter uma verdadeira paz e alívio nas terríveis
dificuldades que estavam atravessando. Os seus pedidos – com grande
espanto dos religiosos – nao eram atendidos no céu. O que esclareceu
esta confusa e difícil situaçao foi a vinda do P. Cirilo da Mae
de Deus em 1637, que outrora tinha estado no Noviciado de Praga,
e que era devotíssimo do Menino Jesus. Este santo religioso, compreendendo
que Deus nao queria abençoar a comunidade e a cidade enquanto o
Menino Jesus nao fosse honrado como merecia, pediu ao Superior
licença para procurar a imagem do Menino Jesus, dizendo-lhe: «Se
nós O honrarmos de novo, Ele nos dará segurança». Obtida a licença,
após reiterados esforços tem a grande felicidade de encontrar a
tao desejada imagem atrás do altar.
Fala a imagem
Logo que foi colocada no coro a imagem veneranda, entre cânticos
e lágrimas dos religiosos, o inimigo, que durante seis longos anos
tinha cercado a cidade de Praga, levanta o cerco; e o convento,
que vivia sumido na mais desoladora miséria, ve-se provido do preciso
para viver com desabafo. Estes dois factos foram o princípio duma
nova era no culto da santa imagem e o início de outros inúmeros
prodígios e favores.
Os bons religiosos recorriam em tudo ao Menino Jesus e, movido
por especial fervor, o venerando Padre Cirilo passava horas e horas
em oraçao diante do seu Reizinho. Um dia em que estava ajoelhado
para Lhe tributar as suas homenagens, ouviu claramente a voz do
Menino Jesus que lhe diria: «Tende piedade de Mim, e Eu terei piedade
de vós; restituí-Me as minhas maos, e Eu vos darei a paz. Quanto
mais Me honrardes, mais Eu vos favorecerei».
Estas ternas palavras, que encerram tres belas promessas, sao
a garantia mais segura para as almas que a Ele recorrem em demanda
de paz para os seus espíritos atribulados e de bençao para as necessidades
espirituais e materiais.
Reparaçao da imagem
O Venerável Padre Cirilo recorreu logo ao Superior, certo de que
a imagem ia ser consertada, mas o Superior entendeu que uma estátua
mais bonita e mais rica seria melhor, e por isso a antiga foi posta
de lado. O P. Cirilo teve que obedecer, mas Deus manifestou o seu
descontentamento. No mesmo dia da inauguraçao da nova imagem, um
candelabro chumbado na parede desprende-se repentinamente e reduz
a mil pedaços a imagem; ao mesmo tempo caía o Superior gravemente
doente nao podendo acabar o seu triénio de mandato.
Nomeado o novo Prior, o zeloso P. Cirilo pede-lhe imediatamente
que mande reparar as maozinhas do Menino Jesus mutilado, mas ouve
esta resposta desconcertante: «Nao podemos fazer esta despesa agora
em que o restauro da Igreja e do convento exige gravíssimos sacrifícios».
Mas a palavra de Deus, embora Menino, é omnipotente, e Ele nao
deixará de realizar os seus altíssimos desígnios. A comunidade
volta a cair na miséria, a peste assola a cidade, alguns religiosos
morrem vitimados pela peste e o próprio Prior fica gravissimamente
atingido, em perigo de morte. E entao, de acordo com a comunidade,
manda celebrar dez missas diante da imagem do Menino e propagar
a sua terna devoçao. Cumprida a promessa das dez missas, fica curado
e, quer o Prior, quer os outros religiosos, depositaram a sua confiança
no Milagroso Menino Jesus.
A imagem, porém, nao foi reparada, e muitas vezes o P. Cirilo
desabafava a sua dor aos pés do Divino Infante, até que um dia
ouve a mesma voz dizer-lhe: «Poe-Me a entrada da sacristia e alguém
terá piedade de Mim». O Padre obedeceu logo, e a antiga imagem,
com as maos quebradas, foi colocada a entrada da sacristia. Um
estrangeiro, chamado Daniel Wolf, quis tomar a sua conta a restauraçao
da imagem e foi imediatamente favorecido por Deus. Este estrangeiro
vergado ao peso dum processo, porque o acusavam de desempenhar
mal as suas funçoes de Comissário de guerra, perdera já o seu lugar
e ia ficando arruinado. Logo que se encarregou da restauraçao da
imagem, o processo foi arquivado, mereceu as graças do Soberano
e a sua fortuna restabeleceu-se.
Rápido desenvolvimento
A devoçao ao Menino Jesus tinha-se conservado até este período
na intimidade e solidao do convento, especialmente no Santo Noviciado.
O bem-estar, tanto espiritual como material do convento, dependia
visivelmente dos maiores ou menores cuidados que tinham com a imagem
do «Pequenino-Grande», e narra a história que alguns Carmelitas
foram, várias vezes, cruelmente punidos por nao terem rodeado a
querida imagem das honras que Lhe eram devidas.
Culto público
Os Padres Carmelitas fundados em muitas provas de protecçao recebidas
do Menino Jesus, reconheceram que tinham no convento um tesouro
de incalculável valor, que nao podia ficar por mais tempo escondido,
mas que devia ser exposto a pública veneraçao.
A Baronesa Catarina de Lobskowitz, dirigida do Padre Cirilo e
alma santa, mandou erigir um magnífico altar para nele colocar
a prodigiosa estátua do Menino Jesus. E rodeada por um cortejo
branco de religiosos foi transportada do convento para a Igreja,
onde a colocaram sobre o altar que com tanto cuidado Lhe tinham
preparado, sendo cantada a missa em sua honra.
Foi entao que pela primeira vez se rendeu culto público a imagem
do Menino Jesus de Praga.
A admirável visao do P. Cirilo
O «devoto capelao» do Menino Jesus via com grandíssimo agrado
o seu «Pequeno-Grande» ser cada vez mais amado pelos religiosos
e pelo povo. Mas ninguém estava satisfeito; de toda a parte se
pedia a construçao duma Igreja exclusiva d’Ele. Este era também
o desejo dos Padres Carmelitas.
Tais aspiraçoes foram confirmadas pela Santíssima Virgem, que
apareceu ao seu venerável servo P. Cirilo. Ao princípio das matinas
envolvida numa nuvem e rodeada por multidao de anjos e indicando
com o dedo um lugar determinado diz: «Edificar-se-á aqui uma Igreja
ao meu Filho». No dia seguinte o P. Cirilo corre ao lugar indicado
pela Virgem, e com imensa alegria ve as linhas demarcativas da
Igreja.
O Prior dos Carmelitas Descalços manifestou os seus desejos aos
piedosos e ilustres baroes de Lobskowitz. Estas almas devotas,
honradas com tao agradável convite, tomaram a sua conta a construçao
da nova Igreja, que foi benzida em 1644; estava pegada a primitiva
Igreja de Nossa Senhora da Vitória. A veneranda imagem, rodeada
por um magnífico cortejo e seguida por imenso povo, foi transportada
solenemente ficando assim a tomar conta do seu novo Santuário onde
se constituíram missas perpétuas. A 14 de Janeiro de 1651, o Eminentíssimo
Sr. Cardeal, Arcebispo de Praga, consagrou o altar com singular
júbilo do povo cristao.
O Conde Bernardo de Martinitz, grande Marques da Boémia, mandou-Lhe
fazer uma coroa de ouro, ornada de pérolas e diamantes, cuja elegância
igualava a riqueza. E a imagem foi coroada a 4 de Abril de 1655
por Monsenhor José Corti, Bispo Auxiliar do Eminentíssimo Cardeal
de Praga, doente nessa ocasiao.
A gratidao do Menino Jesus
O novo Santuário com o preciosíssimo altar do Menino Jesus foi
um verdadeiro trono de graças e favores extraordinários. A Casa
de Lobskowitz foi a alma desta grande empresa: a construçao do
Santuário. Rapidamente experimentaram aqueles bons senhores a protecçao
do Menino Jesus. Um filho daquela Casa encontrava-se na iminencia
de perder a sua honra e a sua quantiosa fortuna. Refugiou-se na
Igreja dos Carmelitas, e lá, aos pés do Menino Jesus, fez, com
a mais viva fé, este juramento: «Eu, o abaixo assinado, hoje, dia
de Sao Joao Baptista, comprometo-me a fundar uma renda perpétua
em favor do meu amadíssimo Menino Jesus, venerado nos Carmelitas
Descalços de Praga. Em fé deste juramento, junto a Deus por testemunha.
Feito a 24 de Junho de 1643. Fernando Cristóvao, Barao de Lobskowitz».
Logo que fez a sua grande promessa, sentiu que a sua oraçao tinha
sido atendida, pelo que voltou a casa paterna livre de todo o perigo
e afliçao.
As graças e favores obtidos pela devoçao ao Menino Jesus eram
cada vez mais numerosas, como atestam os ex-votos oferecidos ao
Divino Infante. No mesmo dia em que o Santuário foi inaugurado,
o Conde Ernesto de Chilick teve um ataque fortíssimo de gota; o
caso era considerado pelos médicos como completamente desesperado.
Nao tendo mais nenhuma esperança, enviou ao Santuário do Menino
Jesus ricos presentes para obter uma boa morte. No entanto, prometeu
que, se num caso inesperado ele recuperasse a saúde, instituiria
uma missa semanal em louvor do Divino Infante. No dia seguinte
estava completamente curado.
A partir de 1642 a devoçao ao Menino Jesus de Praga, como já era
chamado, tomou tal incremento, que o clero e o povo acorriam constantemente
ao Santuário do «Menino-Grande» a fim de agradecer os grandes benefícios
que lhes dispensara e pedir novos favores para a Igreja e para
a Pátria.
Ante aquela imagem vinham prostrar-se o plebeu e o nobre, o inocente
e o pecador, os grandes e os pequenos, especialmente as crianças,
pelas quais o Menino Jesus tem uma predilecçao especialíssima;
ante aquela imagem expunham-se os negócios árduos e as grandes
afliçoes. E todos eram atendidos segundo a fé e a confiança que
no Menino Jesus depositavam. Por isso foi e continua a ser chamado
Menino Jesus Taumaturgo, Miraculoso, Mila-groso.
Milagres durante a peste
O ano de 1713, foi para a cidade e arredores de Praga dos mais
desastrosos. A peste devastou a populaçao. Basta dizer que, só desde
o dia 22 de Agosto deste ano até Março do ano seguinte vitimou
mais de 20.000 pessoas e perto de dois milhoes de cabeças de gado.
Nesta terrível conjuntura o povo nao esqueceu o seu celeste protector.
Os Padres Carmelitas diziam missa no Santuário e recitavam as ladainhas
do Santo Nome de Jesus. O povo corria ali, desde o romper do dia
até a tarde, em multidao, e quando se fechava a Igreja, muitos
ainda pediam a graça de os deixar entrar, visto nao terem antes
conseguido um lugar.
Narram os historiadores que era verdadeiramente comovedor ver
esta multidao invadir o Santuário e pedir de joelhos ao Menino
Jesus a sua protecçao divina contra o terrível flagelo da peste.
A sua confiança nao os enganou: constatou-se que os que recorriam
a Sua divina protecçao nao eram atacados por este mal terrível.
Houve no entanto um facto que chamou a atençao, e que contribuiu
para mostrar a eficácia da devoçao ao Menino Jesus. Um fervoroso
cristao, chamado Maloiski, foi atacado pela mortífera peste. Nao
estando em condiçoes de ir orar diante da imagem do Santuário,
deitou-se na cama cheio de confiança, depois de invocar a protecçao
do Divino Infante, de quem era devotíssimo. Sobreveio-lhe um sono
profundo e, quando acordou, o mal tinha desaparecido. Uma mulher
de Praga, tendo ouvido este facto, nao quis acreditar na sua possibilidade
e riu-se da devoçao a qual o homem devia a sua cura. No mesmo dia
sentiu-se atacada pela peste e no dia seguinte estava morta.
Estes e outros inúmeros prodígios operados pelo Menino Jesus concorreram
eficazmente para que esta devoçao tomasse um rápido incremento
em toda a Europa e, atravessando o Atlântico e o Pacífico, chegasse
aos últimos confins da terra como corrente vivificadora e consoladora.
É a devoçao mais simpática
O motivo é muito simples e evidente. Apresenta-nos a Jesus na
fase mais encantadora da sua vida: a INFÂNCIA. E a infância é,
indiscutivelmente, a idade mais bela – também a mais feliz – em
todo o sentido: humana e divinamente.
A idade mais bela humanamente! As crianças tem encantos incomparáveis, únicos!
A criança é a flor mais mimosa, mais delicada, mais encantadora
que há no mundo; que a todos agrada e a ninguém desgosta; que faz
vibrar os sentimentos mais recônditos da alma e que, com uma força
irresistível, cativa os coraçoes. Um lar sem crianças é como um
vaso sem flores.
É também a mais bela divinamente! Jesus teve pelas crianças uma
especialíssima predilecçao. «Deixai, dizia Ele, as criancinhas
e nao as impeçais de vir a Mim, pois delas é o reino dos céus» (Mt
19, 14). E Jesus, sempre tao comedido nas suas manifestaçoes afectivas,
derramava nas crianças as ternuras mais delicadas do seu puríssimo
coraçao: «Depois, tomou-as nos braços e abençoou-as, impondo-lhes
as maos» (Mc 10, 16). Só para as crianças reservava estas ternuras.
O Menino Jesus tem todos os encantos duma criança; mais: os encantos
todos duma criança que é ao mesmo tempo Deus. Jesus pequenino inspira-nos
uma confiança sem limites, uma intimidade carinhosa. Quem é que
tem medo duma criança? Jesus «grande» inspira-nos um amor de intimidade.
Jesus na cruz atrai-nos pela grandeza dos seus sofrimentos, na
Eucaristia pela sublimidade do seu amor... na Infância pela suavidade
dos seus encantos humano-divinos.
A devoçao ao Menino Jesus tem a grandíssima vantagem de arrebatar
os coraçoes com os seus encantos divinamente infantis, colocando-nos
num ambiente de intimidade total com Deus e, por isso mesmo, de
quase naturalmente introduzir-nos no caminho da Infância espiritual,
que é a celestial mensagem de santidade ensinada por Santa Teresinha
do Menino Jesus.
É uma devoçao de grandíssima utilidade
O coraçao de Jesus Menino está animado por um veementíssimo desejo
de ABENÇOAR, e abençoar a TODOS e SEMPRE. Na sua imagem vemo-l’O
com a sua maozinha direita levantada como para abençoar; nao é a
maozinha duma criança impotente, mas a MAO infinitamente PODEROSA,
OMNIPOTENTE de um Deus humanado e que, sendo «pequenino» move forte
e suavemente a máquina universal do mundo, desde o graozinho de
areia, que é levado nas asas do vento, até aos desertos quase infinitos
do mundo misterioso que nos envolve. Nessa mesma imagem vemo-Lo
revestido de rei e, como emblema do seu poder soberano, tem na
mao esquerda o globo terrestre. Aos encantos incomparáveis da sua
Infância alia harmo-niosamente o poder infinito de um Deus humanado.
Estamos convencidos que esta devoçao há-de produzir nas almas
e nas famílias grandes frutos de salvaçao e santificaçao, para
bem da humanidade inteira, e que há-de ocupar um lugar de soberana
grandeza no culto cristológico. A sua importância e utilidade foram
reconhecidas pelos mestres da espiritualidade, que consideram a
devoçao ao Menino Jesus como um estímulo poderoso para entrar no
caminho da Infância Espiritual, que é um «Caminho Novo» por onde,
segundo Bento XV, «os fiéis de qualquer naçao, idade, sexo e condiçao
devem entrar generosamente, caminho pelo qual Santa Teresa do Menino
Jesus atingiu o heroísmo da virtude. Desejamos que o segredo da
santidade de Santa Teresa nao fique ignorado de nenhum dos nossos
filhos» (Bento XV).
É verdade: Teresinha trouxe ao mundo o «Omen novum», uma mensagem
nova até agora desconhecida pela maior parte dos cristaos, a mensagem
da santidade universal para todas as almas desejosas de perfeiçao,
voltando assim a encontrar o sentido genuíno, puríssimo, profundíssimo – e
tao simples – dos ensinamentos do Mestre Divino que dizia: «Se
nao voltardes a ser como as criancinhas, nao podereis entrar no
reino do céus» (Mt 18, 3). Estas palavras indicam que, mesmo para
nos salvar, havemos de nos tornar criancinhas. E Jesus, como Menino, é o
modelo perfeitíssimo e concreto para todos os que aspiram a perfeiçao – a
que, como cristaos, todos estamos obrigados – indo pelo caminho
rápido da Infância Espiritual. Teresinha, a doutora incomparável
desse novo caminho, providencialmente escolheu o nome de Teresinha
do Menino Jesus.
A utilidade desta devoçao patenteia-se ainda mais concretamente
pelas grandes promessas feitas pelo Menino Jesus de Praga, promessas
extremamente generosas e consoladoras, tao generosas e consoladoras
que merecem um capítulo especial.
Duas devoções se unem na República
Tcheca. A Imagem de Nossa Senhora Aparecida chegou hoje ao Santuário
do Menino Jesus de Praga, trazida em procissão solene pelo
Arcebispo Dom Raymundo Damasceno de Assis e o Primaz do país
Cardeal Miloslav Vlk.
Ao introduzir a Cerimônia o Embaixador brasileiro
junto ao governo Tcheco Affondo Massot falou sobre a iniciativa de
unir as duas devoções e explicou que "o número
de brasileiros e latino-americanos que visitam Praga é muito
grande, então pensei ser interessante juntar as duas devoções,
pois Nossa Senhora Aparecida é o Icone da devoção
do povo brasileiro".
Prestigiaram a cerimônia a primeira dama Tcheca
Livia Klausov, o primeiro ministro Mirek Topolanek entre outras autoridades
brasileiras. Ao som da "Ave Maria de Shubert" a imagem foi entronizada
ao lado do altar do Menino Jesus, e permanecerá ali em sinal da ligação
entre os dois países.
O Arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno,
destacou que "agora os brasileiros que vem a Praga poderão
encontrar a Mãe Aparecida ao lado de uma outra grande devoção
popular como é o Menino Jesus de Praga, e diante da imagem
da virgem poderão rezar pelo povo brasileiro e também
por este pais".
O presidente Lula enviou uma breve mensagem, expressando
sua alegria pelo evento: "gostaria de estar pessoalmente nesta
cerimônia", escreveu o presidente.
Bento XVI através de uma mensagem expressou
sua proximidade espiritual a cerimônia. Recordando a sua recente
viagem ao Brasil, comentou a devoção do povo brasileiro à Nossa
Senhora Aparecida. O Pontífice enviou sua Benção
Apostólica a todo o povo Tcheco por intercessão de
Nossa Senhora Aparecida.
O Cardeal Miloslav Vlk, primaz da República
Tcheca, falou de sua alegria por receber a imagem, recordando que
a República
Tcheca não possui uma forte história religiosa, ainda mais que
os 40 anos de Comunismo a fez desaparecer quase por completo. "O Brasil é a
maior nação católica, forte em sua expressão de
fé, portanto representa para nós um convite a nos apoiarmos aos
valores cristaos.